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AS PRESSÕES POR BAIXO DOS PANOS |
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23 Abril 2003
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AS
PRESSÕES POR BAIXO DOS PANOS
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Laerte Braga
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O silêncio do governo brasileiro sobre o acordo militar que cede a
base lançamentos em Alcântara, isso levando em conta que Lula e o PT
se manifestaram contra o documento durante toda a campanha e mesmo já
no governo, tem uma explicação: o governo dos Estados Unidos já mandou
dizer ao governo brasileiro que não aceita, essa é a expressão exata,
não aceita, qualquer mudança no documento. As pressões no sentido de
concretizar o acordo com a aprovação pelo Congresso Nacional e, em seguida,
a imediata ocupação da base pelos norte-americanos, são descomunais,
tanto quanto as pressões para que o Brasil aceite o acordo que institui
a ALCA. Lula tem resistido a apelos e pressões, aàde setores do PT,
para revelar ao Brasil e aos brasileiros, a ÃÂntegra de todos os acordos
assinados por Fernando Henrique ao longo de seus oito anos e as camisas
de forças, em cada um deles, fato que, denunciar publicamente, deixaria
àmostra toda a canalhice e podridão de um presidente corrupto, sem
qualquer escrúpulo e que vendeu o Brasil por trinta dinheiros em Cayman.
É um equÃÂvoco de Lula, como um equÃÂvoco é a polÃÂtica econômica do ministro
Antônio Palocci, dentro dessa lógica de não poder ou não ter condições
de romper com receituário do FMI e do Banco Mundial. As armadilhas de
um bandido que ocupou a presidência da República por um longo perÃÂodo
e cometeu toda a sorte de trapaças, fraudes, atos os mais vergonhosos
de traição pura e simples, podem aprisionar o governo petista, numa
certa medida já estão conseguindo, levando a reboque as esperanças manifestadas
pelos brasileiros, nas eleições de outubro do ano passado. A situação
é muito mais grave do que se imagina e o que tem sido feito para acuar
o governo de Lula, nas questões de Alcântara e ALCA, por si só, justificariam
a imediata prisão de FHC e seus principais asseclas. O dilema de Lula
é simples: ou assume o governo na integralidade daquilo que de fato
representa e pelo que foi eleito, ou corre o risco de sucumbir e permitir,
como na Argentina com o risco da volta do bandido Menem, que os bandidos
voltem a dominar o Estado brasileiro, completando a obra de transformar
o Brasil num mero entreposto do capital estrangeiro. Mais precisamente,
norte-americano. Foi por saber disso que a professora Maria da Conceição
Tavares disparou contra a polÃÂtica econômica e é por conta disso que
a maioria da bancada do PT e dos principais aliados àesquerda, se mostra
contrária àreforma da Previdência. Para completar o quadro de desgoverno
do governo nessas questões, de indefinição, Lula tentou responsabilizar
o Judiciário por falhas na polÃÂtica geral de segurança no PaÃÂs, ameaçado
pelo crime organizado, gerando reações que em nada favorecem as perspectivas
e esperanças dos brasileiros. Que o Judiciário tem uma caixa preta e
essa caixa preta tem que ser aberta, como a do Banco Central, sob controle,
durante toda a sua existência, de banqueiros (e banqueiro é sinônimo
de corrupção, sem exceção), qualquer um sabe. Mas é preciso que a crÃÂtica
seja feita não quando o Judiciário garante direitos dos trabalhadores
(no caso da contribuição dos inativos), mas quando figuras lamentáveis
como Nelson Jobim presidem uma eleição nacional e impõem regras e sistemas
de votação que só não se consumaram em fraude pela absoluta impossibilidade,
diante da avalancha de votos no candidato das mudanças. O que a economista
Maria da Conceição Tavares disse sobre a economia nacional, o ex-governador
Leonel Brizola, justiça seja feita, vem falando desde que retornou ao
Brasil: o problema do nosso PaÃÂs são as perdas externas. As polÃÂticas
determinadas pelo FMI e os projetos prontos e acabados do Banco Mundial
têm um só objetivo: assegurar o pagamento da dÃÂvida externa. Ajuste
fiscal é apenas arrocho, como disse Maria da Conceição, sobre quem não
tem nada e acreditou, ao votar, que com Lula seria diferente. As pressões
sobre o Brasil, que não é uma república de bananas, no caso de Alcântara
e na questão da ALCA, transcendem aos limites do governo e têm que ser
reveladas a todos os brasileiros. Tem contornos de sobrevivência do
Brasil como nação soberana e na integridade do território nacional.
Ou Lula faz o que falou que ia fazer, governar num amplo e permanente
debate com o povo, ou continua seguindo, no pressuposto que não tem
jeito, em direção às armadilhas plantadas pelos oito anos de corrupção
tucana. Ao contratar empresas de publicidade para veicular uma campanha
para a reforma da Previdência, Lula faz igualzinho a FHC, adota a polÃÂtica
da verdade única: ou isso ou o caos. Nesse caso, não há sentido em governo
petista. Bastava ter continuado com os tucanos e pefelistas. A responsabilidade
de Lula é maior, muito maior, que sua vontade de tentar resolver tudo
na conversa e agradando aos donos, para mais àfrente tentar uma virada,
como dizem. Isso não funciona. É desculpa. E leva a declarações insensatas
como as do presidente do PT, José GenoÃÂno, que cobrar contribuição
dos inativos é ser de esquerda. Só se mudaram o conceito de Previdência.
É preciso perceber que, neste momento, diante dos fatos e das canalhices
deixadas pelo tucanato e FHC, é preciso abrir o jogo e mostrar aos brasileiros
o que de fato foram os oito anos de uma quadrilha no poder. Sob pena
de desmoronar, nunca é demais dizer, todos os projetos de um Brasil
grande, justo e independente. As relações do governo brasileiro com
a embaixadora dos Estados Unidos, particularmente o ministro Palocci,
são indecorosas. E não há nem que ser falar no presidente do Banco Central.
Esse é cidadão norte-americano, nascer no Brasil foi só um acaso.
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Lula: Vamos assentar todos os acampados |
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14/05/2003
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Lula:
Vamos assentar todos os acampados
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou hoje, na sede da Contag
(Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura), em BrasÃÂlia,
que o governo federal irá assentar, até o final de seu mandato, todas
as famÃÂlias de sem-terra que estão hoje em acampamentos. Lula participou
do encerramento do Grito da Terra 2003 â€â€esta foi a primeira vez que
um presidente da República participa do evento.
"Sabemos quantos são, onde estão e conhecemos suas lideranças. Pretendemos
começar o processo de reforma agrária com esses que estão mais tempo
na fila", disse o presidente.
Ele afirmou ainda que serão liberados R$ 5,4 bilhões para financiar
a safra 2003 e 2004 da agricultura familiar. "O maior e mais completo
plano de safra para a agricultura familiar da história do Brasil", exaltou
o presidente. Lula lembrou que em março foi aprovada uma medida provisória
que garantiu a negociação da dÃÂvida de 100 mil assentados e de 130 mil
famÃÂlias ligadas àagricultura.
Lula entregou ao presidente da Contag, Manoel dos Santos, um documento
com as principais intenções do governo na área da agricultura e pediu
que ele acompanhe ponto por ponto as ações do governo. "Recebemos de
vocês um documento com cerca de 200 reivindicações. Vocês sabem que,
em tão pouco tempo, não é possÃÂvel resolver as 200. Mas o principal
será feito", respondeu o presidente.
Ele pediu que a Contag e os demais movimentos dos trabalhadores rurais
não se limitem a reivindicar, mas também a ajudar o governo na construção
de uma polÃÂtica habitacional e educacional para os homens do campo.
No documento entregue por Lula àContag, consta também o compromisso
do governo em empregar trabalhadores rurais na construção de um programa
de habitação rural; a criação de um programa educacional especÃÂfico
para o campo; e a intensificação da fiscalização e do combate ao trabalho
informal e escravo no meio rural.
Lula se comprometeu ainda a desburocratizar o Pronaf (Programa Nacional
de Fortalecimento da Agricultura Familiar), facilitando o acesso do
trabalhador rural ao crédito, e criar linhas de financiamento especÃÂficas
para mulheres e jovens agricultores. "Em junho, faremos no Palácio do
Planalto uma grande reunião para discutir cooperativas de crédito, uma
forma de baratear os custos ao agricultor", anunciou.
O presidente disse ainda que determinou providências urgentes para
atender famÃÂlias do semi-árido nordestino que estão sofrendo as consequências
da falta de chuva na região. De acordo com Lula, serão providenciados
bolsas-alimentação, cartões-alimentação, cisternas e carros-pipa para
resolver emergencialmente o problema dos trabalhadores desta região.
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¿HASTA
CUANDO?
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| Equipo de redacción de
Letraviva/MST Informa |
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Las celebraciones del fin de año, por la tradición cristiano occidental
o por el cambio del calendario anual, siempre nos remiten al pensamiento
positivo y al deseo de cambios. Cambios para mejor. Para que se pueda
tener justicia, igualdad y felicidad. Pero los cambios necesarios en
el 2003 dependerán de los desafÃÂos que heredamos. .
¿Hasta cuándo seremos capaces de soportar que la ganancia belicista
de los Estados Unidos invada Irak y después se vuelva contra algún otro
paÃÂs del tercer mundo? .
¿Hasta cuándo la opinión pública internacional y la ONU contemplarán
la estúpida guerra de Palestina, que diariamente mata a inocentes de
los dos lados, mientras la industria bélica norteamericana celebra sus
ventas por más de 5 billones de dólares por año al señor Sharon? .
¿Hasta cuándo nos callaremos por el genocidio perpetrado en el ÃÂfrica
negra, que está condenando a todo el pueblo a la miseria absoluta, el
hambre, la generalización del SIDA, mientras las multinacionales continúan
extorsionando sus riquezas naturales para llenar los cofres de Europa
y Estados Unidos? .
¿Tendremos fuerza para seguir denunciando que el ALCA no es un simple
acuerdo comercial, sino un plan estratégico de dominación de las empresas
estadounidenses sobre todo el continente americano? .
¿Hasta cuándo la humanidad continuará rehén de media docena de medios
de comunicación que monopolizan las informaciones y transforman mentiras
en verdades absolutas? .
¿Hasta cuándo la humanidad será rehén del dólar como moneda única,
que se transformó en un mecanismo de expoliación mundial, para mantener
el elevado patrón de consumo del 5% de los ciudadanos que viven en el
territorio de los Estados Unidos ? .
¿Hasta cuándo asistiremos inertes a que las empresas y los intereses
económicos sitúen en riesgo la supervivencia de nuestro planeta, sin
respetar los recursos naturales, el necesario equilibrio, la reproducción
del agua y de los bienes que son colectivos?
Y aquàen Brasil .
¿Tendremos el coraje de luchar para que nuestro pueblo no continúe siendo
expoliado con la continua transferencia de riquezas nacionales, a través
del pago de la deuda externa, del envÃÂo de los beneficios, intereses,
transferencias del ahorro nacional vÃÂa CC-5? .
¿Tendremos el coraje de combatir la expoliación del capital financiero,
que obliga a todos los brasileños a pagar impuestos, para que después
se transformen en ganancias de los bancos, recogidos bajo forma de intereses
de la deuda interna? .
¿Tendremos el coraje de erradicar (eliminar de raÃÂz) realmente
el hambre que pasan 52 millones de brasileños ? .
¿Tendremos el coraje de luchar para que todos podamos tener trabajo,
vivienda digna, lugar en la escuela, tierra para trabajar y derecho
al acceso a la cultura y el ocio? .
¿Tendremos el coraje de denunciar que el 10 % de los brasileños se
quedan con la mayor parte de toda la riqueza y consume la gran parte
de toda la producción realizada por el otro 90 %? .
¿Tendremos el coraje de luchar para que cambie realmente la práctica
de la polÃÂtica en el paÃÂs o cambiarán sólo los nombres y la práctica
continuará siendo la misma? .
¿Tendremos el coraje de combatir la concentración de la propiedad de
la tierra, por la que un 1% de los terratenientes y empresas son dueños
del 46% de todas las tierras, eliminando el latifundio de nuestra sociedad?
.
¿Tendremos el coraje de luchar para que la violencia social se combata
con soluciones verdaderas y no únicamente con más represión policial
?
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MST Y MOVIMIENTOS SOCIALES EN EL ESTADO ESPAÑOL |
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Este artÃÂculo fue
editado en Viento Sur, n. 61, Abril 2002.
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MST Y MOVIMIENTOS SOCIALES EN EL ESTADO ESPAÑOL
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ÃÂngel Calle
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Universidad Carlos III de Madrid
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1. Introducción
Este artÃÂculo pretende ofrecer un pequeño análisis de la realidad del
Movimiento de Trabajadores Rurales Sin Tierra (MST) de Brasil, apuntando
algunos factores internos y externos que puedan explicar la fortaleza
de este movimiento social. Al mismo tiempo, este análisis nos sirve
para reflexionar sobre determinados movimientos sociales de nuestro
Estado, en particular, sobre los movimientos de solidaridad global (radicalmente
democráticos), y a los que la prensa ha bautizado como el movimiento
anti-globalización, en el contexto de las diferentes campañas UE 2002
1
2. El MST
El Movimiento de Trabajadores Rurales Sin Tierra (MST) de Brasil se
funda en 1984 fruto de las experiencias históricas de movimientos campesinos
y del apoyo de la Comisión Pastoral de la Tierra, ligada a las Iglesias
católicas y protestantes, y de sindicatos de trabajadores. Brasil es
hoy un paÃÂs en el que un 1% de los propietarios controla el 50% de las
tierras; muchos de los grandes latifundios, el 50% según el gobierno
en la zona del Amazonas y 100 millones de hectáreas en todo el paÃÂs,
tienen su origen en tÃÂtulos de propiedad falsificados. El MST se propone
como objetivo básico la realización de una profunda reforma agraria
al servicio de un potencial de 4 millones de campesinos. Su UtopÃÂa apunta
más alto: la construcción democrática de una sociedad sin explotadores
ni explotados, basada en los principios del "socialismo" y del "humanismo",
en la que deberán imperar "la justicia social y la igualdad de derechos
económicos, polÃÂticos, sociales y culturales", procurando también "combatir
todas las formas de discriminación social y buscar la participación
igualitaria de la mujer"2
. Junto a este ideario, que se renueva en encuentros extraordinarios
cada 5 años que persiguen sobre todo una confraternización de los integrantes
del movimiento social (el último congregó a 11.000 en agosto de 2000),
el MST elabora unas pautas polÃÂticas concretas cada dos años, donde
se definen alianzas y estrategias tácticas: movilizaciones contra el
ALCA o la Deuda, apoyos al movimiento obrero de las grandes ciudades,
acuerdos con otras organizaciones campesinas o con redes de excluidas
y excluidos (sin techo, sin empleo, expropiados), etc.
En lo que se refiere a la lucha en el campo, dos son los frentes básicos
del MST. El primero consiste en la organización y el apoyo a los sin-tierra
en la realización de ocupaciones de latifundios improductivos y que,
según la ley, deberÃÂan ser expropiadas por el gobierno. El segundo frente
lo constituyen los campesinos y campesinas que ya consiguieron un pedazo
de tierra y que se agrupan en asentamientos. Contribuyen al mantenimiento
del MST y participan de ocupaciones y de actos de presión para solidarizarse
con los sin-tierra que tomaron algún latifundio, y también para exigir
apoyo técnico y económico al gobierno, más pendiente de buscar dólares
para el pago de la Deuda Externa3.
¿Qué ha conseguido el MST en estos 17 años de lucha? Ciertamente, Brasil
sigue siendo un paÃÂs marcado por profundas desigualdades (el 10% acumula
28 veces más renta que el 10% más pobre) y dista mucho de la UtopÃÂa
socialista. Pero en la práctica, de las 400.000 familias asentadas a
través de la reforma agraria, un 85% lo hicieron tras participar en
la lucha polÃÂtica de los sin-tierra. El MST cuenta en la actualidad
con 81 cooperativas agropecuarias que permiten una subsistencia mucho
más digna que la del pequeño agricultor no organizado, tal y como reconoce
la propia FAO. En ciertos asentamientos la producción es totalmente
colectiva. La reforma agraria está hoy en la agenda polÃÂtica de los
partidos, principalmente de izquierda. La polÃÂtica de represión (1.600
muertos en las luchas campesinas de las últimas décadas) y la imagen
de "violencia" y "corrupción" que los medios en general asignan al MST
no han conseguido frenar a este movimiento social, que continua siendo
apoyado por 2/3 de la población, si bien determinadas acciones (como
la ocupación de edificios de la administración) reciben ciertas crÃÂticas.
¿Cuáles son las claves más significativas que pueden explicarnos la
fortaleza del MST? En primer lugar, la propia naturaleza del conflicto
que hunde sus raÃÂces en el entorno de los sin-tierra. La emigración
a la ciudad ofrece desempleo y marginalidad. Muchos son los que vuelven
al campo tras una experiencia "frustrante" y deciden engrosar las filas
del MST. El conflicto es urgente, muy visible y el MST no sólo goza
de la credibilidad de los sin-tierra en la lucha por sus derechos, sino
que también ofrece una representación del conflicto nÃÂtida y
contrastable, al ligar los problemas locales con la reforma agraria,
y de ahàsaltar a la crÃÂtica al modelo neoliberal, proponiendo un desarrollo
de Brasil centrado en las necesidades sociales internas y no en las
demandas económicas externas.
Como acción colectiva en pos de la resolución del conflicto,
la ocupación de tierras es una pieza central de la propuesta del MST.
La asignatura que todo movimiento social pretende aprobar es la reintegración
de la justicia en las normas sociales y jurÃÂdicas existentes. Para ello
es esencial poner de relieve la contradicción existente entre justicia
y orden legal. La ocupación restaura la justicia en el orden social
y obliga al gobierno y a las elites a "mover ficha". Gandhi iba a buscar
con los suyos la sal prohibida por los ingleses; Martin Luther King
se sentaba en los restaurantes prohibidos para los negros. AquÃÂ, en
el Estado español, los espacios sociales abiertos por el movimiento
okupa, la consulta social de 2000 de RCADE, el firme Campamento de la
Esperanza de trabajadores y trabajadoras de Sintel y los encierros en
el 2001 contra la Ley de ExtranjerÃÂa, son ejemplos de acciones que promueven
la restauración de la justicia, tratando de implicar a la ciudadanÃÂa,
y todo ello sin que se produzca un incremento de la violencia social,
antes al contrario.
No obstante, la acción del MST no se detiene en la ocupación. El objetivo
del MST es "derribar tres barreras: la del latifundio, la de la ignorancia,
la del capital" según Stédile, uno de los lÃÂderes del movimiento4.
Contra la barrera de la "ignorancia", el MST cuenta, en el ámbito interno,
con múltiples iniciativas de formación: 15.000 educadores, centros y
programas propios para el desarrollo de los asentamentos, contactos
con universidades que abren puertas y planes para la formación de jóvenes
sin-tierra (2.000 asistieron en el 2001 a la escuela de verano en la
universidad de Campinas), etc. Para ganarse la confianza de la ciudadanÃÂa,
el MST realiza campañas de sensibilización como las marchas, algunas
de incluso 3.000 kilómetros, en las cuales va explicando su proyecto
por ciudades y pueblos.
El MST considera que las barreras del latifundio y del capital no caerán
por la sola presión de las ocupaciones. Por ello trabaja junto a otros
actores, institucionales o no, para crear espacios que permitan construir
alternativas de desarrollo para Brasil. Tal es el caso del Proyecto
Popular, en el que ONGs, partidos, sindicatos, movimientos sociales
y algunos sectores de las Iglesias tratan de crear un foro de debate
estable del que salgan propuestas concretas. En algunos casos, el MST
considera que, sin hipotecar sus principios, las necesidades sociales
de los campamentos y asentamientos (educación, sanidad, transporte,
créditos) o la búsqueda de una proyección mediática de sus reivindicaciones,
bien puede justificar el entablar un diálogo con la administración pública.
En lo que respecta a las formas de coordinación de un movimiento
social implantado en una variedad de contextos históricos
5,
el MST es un ejemplo práctico de la superación de la dialéctica a la
que se enfrenta todo movimiento social: la búsqueda de un equilibrio
entre coordinación y descentralización. Por un lado, el MST se inclina
hacia un centralismo democrático (dirección nacional de 25 personas
+ estados que incorporan estrategias locales) muy abierto (congresos
nacionales de militantes + encuentros nacionales que marcan direcciones
polÃÂticas), difÃÂcilmente exportable a Europa, pero que ilustra la voluntad
del movimiento en avanzar conjuntamente cultivando la democracia interna.
Por otro lado, la descentralización es patente en la autonomÃÂa de las
direcciones de cada estado (que permite aplicar en un contexto las estrategias
acordadas en el ámbito nacional) y en la radicalidad democrática sobre
la que, en última instancia, se afianza la lucha polÃÂtica del MST en
sus dos frentes, campamentos y asentamientos. Los campamentos cuentan
con una asamblea de delegados que decide soberanamente sobre las acciones
a realizar. Estos delegados son representantes de asambleas de 8 o 10
familias acampadas. En cada campamento, y eventualmente en cada grupo
de familias, existen responsables por áreas de negociación, educación,
seguridad, salud, etc. de tal manera que hasta el último sin-tierra
participa en decisiones colectivas y está informado-a de las mismas.
Por su parte, los asentamientos deciden el tipo de cooperativismo (o
la ausencia del mismo) a practicar, asàcomo el grado de involucración
en la lucha; generalmente se contribuye al MST con un 3% de lo producido
y de los créditos recibidos, y donde el cooperativismo alcanza cotas
mayores de colectivismo, se liberan personas para coordinar la lucha
en otros lugares de Brasil.
En el MST la consigna es clara: no imponer, sino ayudar a crear. Ello
se refleja en la forma en que operan las comisiones de trabajo (educación,
frente de masas, cooperativas, internacional, finanzas, etc.). Sobre
cualquier rigidez estructural, se prima la creatividad y la libre participación
en estas comisiones. Función antes que estructura, para garantizar que
el MST tenga su fuerza real en las bases, en las personas que se implican
en su lucha. La descentralización no es entonces un medio, sino un fin:
coordinación necesaria para mantener un movimiento social hacia su UtopÃÂa,
que es bien distinto de convertir un movimiento social en una organización
6.
3. Movimientos de solidaridad global en nuestro Estado: algunos
apuntes
Antes de sugerir comparaciones entre el MST y los movimientos en nuestro
Estado, conviene reflexionar con el espacio social y la cultura polÃÂtica
en la que se encuentra inmerso el movimiento brasileño. En este sentido,
muchas movilizaciones en Latinoamérica no son comprensibles si no reparamos
en la consistencia y la centralidad de sus valores comunitarios. Ejemplos
paradigmáticos de esta integración individuo-comunidad-naturaleza son
movimientos como el zapatista y los indÃÂgenas de Ecuador. Ello es asÃÂ
por dos razones. La primera, asentada en el ámbito de la subjetividad,
nos remite a la existencia de culturas ancestrales (caso de la cultura
maya), o más modernas (zapatismo, teologÃÂa de la Liberación en el Brasil)
que, en unión con el palpitar revolucionario latinoamericano de los
60 y 70, entrelazan y hacen inseparable lo común de lo particular, la
liberación social de la personal7.
Todo oprimido es un poco dependiente de su opresor, quiere ser como
él, venÃÂa a afirmar Paulo Freire. Por lo tanto, librarnos de la violencia
no puede equivaler a "librarnos" de los opresores. La liberación ha
de ser conjunta: de la ciudadanÃÂa en su totalidad y de cada persona
en particular.
La segunda razón, de ÃÂndole más objetiva, es la retroalimentación y
puesta en práctica de estos valores a través de una socialización intensa
en espacios alternativos al orden que se desafÃÂa: los campamentos del
MST resisten las embestidas policiales y paramilitares, amén de la falta
de alimentos, por espacio de dos a siete años; los movimientos indÃÂgenas,
a su vez, se levantan sobre comunidades donde generación tras generación
se fortalece la resistencia cultural y polÃÂtica.
En contraposición, en los grandes centros urbanos del llamado Norte,
estos dos motores de la lucha polÃÂtica, salvo excepciones, están ausentes
o no son tan consistentes. El individualismo y el materialismo de nuestras
sociedades dejan huella en las condiciones subjetivas en las que recreamos
nuestros movimientos sociales. Bien a través del idealismo cientÃÂfico,
bien a través de la acción irreflexiva, o bien impulsados por el cultivo
de un hedonismo, Occidente tiende hacia la "cultura" del yo. AsÃÂ, asistir
a una asamblea en Brasil (del MST o de otras redes sociales), supone
comprobar que, cuando hay convicción en lo común y no se parte de lo
particular, es posible hablar sin levantar la voz, escuchar silencios
entre las intervenciones, y sobre todo, dejar atrás intereses corporativos
o el sectarismo de identidades no dispuestas a "contaminarse" por el
resto de la humanidad. Un panorama distinto, pues, de las reuniones
que protagonizan los movimientos de solidaridad global en este Estado,
a juzgar por las crÃÂticas vertidas a la reunión estatal sobre Campañas
UE 2002 de Zaragoza, en noviembre de 20018.
Por otra parte, a pesar del acceso a recursos y a internet, la comunicación
real es difÃÂcil en nuestras ciudades, obstaculizando la creación de
códigos culturales compartidos e impidiendo limar asperezas y desconfianzas.
AsÃÂ, por poner un ejemplo, en Brasil la foto del Che presidirá las casas
de los sin-tierra, de los militantes del CUT y del PT, y de algún que
otro espacio ligado a alguna de las iglesias que existen. Constituyen
sÃÂmbolos y lenguajes que trascienden generaciones y espacios sociológicos,
a diferencia de lo que ocurre por estos lares. Y existen porque se recrean
y comparten en espacios fÃÂsicos, tanto en los propios de cada colectivo,
como en la multitud de redes y experiencias que los ponen en contacto.
Tal es el caso de las grandes marchas y congregaciones rumbo a Brasilia
que han dado lugar, una vez que culturas y experiencias comunes se han
asentado, al Foro Nacional de Luchas (FNL) que aglutina a sectores sociales
opuestos a las polÃÂticas neoliberales. No caigamos en la tentación de
pensar que la existencia del Foro ha dado lugar a la recreación de espacios
sociales, acciones y discursos compartidos. Más bien ha acontecido al
revés, pues no podemos olvidar que estos actores polÃÂticos provienen
de la movilización común que derribó la dictadura a comienzos de los
80. En el Estado Español, por el contrario, las redes entre distintos
colectivos sociales son aún muy débiles. AsÃÂ, por poner el ejemplo de
Madrid, no existe una gran tradición de trabajo conjunto entre sectores
más ligados a los nuevos movimientos sociales (ecologistas, pacifistas,
redes ciudadanas, incluso okupas) y sectores provenientes de vertientes
más institucionales, principalmente del movimiento obrero (partidos,
sindicatos, ONGs u otros colectivos polÃÂticos). Y en algunos casos,
la memoria histórica de esas relaciones está plagada de referencias
a desencuentros en ámbitos muy concretos (posicionamiento frente a la
Guerra de Bosnia, por ejemplo) o en planos de mayor alcance (descrédito
de la acción institucional entre parte de la militancia más joven, temor
a la "inorganicidad creativa" de los nuevos movimientos sociales). Allá
donde se desarrollan espacios de interacción al margen de las campañas
(foros, mesas de trabajo, redes locales), se trabaja denodadamente en
encontrar unos mÃÂnimos de interacción en las asambleas, y los personalismos
desaparecen ante la preocupación por la libertad común, encontramos
una mayor fluidez para desactivar desencuentros y alcanzar consensos
que tienen su reflejo en la práctica (por poner unos ejemplos, véanse
las contra-cumbres de Barcelona o Cáceres; y también en Madrid la coordinación
de espacios frente a la cumbre Unión Europea-América Latina).
El análisis de estos desencuentros nos lleva al tema de la hipersensibilidad
frente al poder como una de las caracterÃÂsticas de los movimientos sociales
contemporáneos. Sus raÃÂces pueden estar, en algunos casos, en el legado
cultural e ideológico del anarquismo. Pero en realidad, es una caracterÃÂstica
que comparten integrantes e incluso colectivos que se declaran herederos
de corrientes marxistas. Esta hipersensibilidad es, por tanto, un principio,
más que un estado pasajero. Es decir, la democracia participativa o
radical, el cómo al que están tan atentos muchos nuevos movimientos
sociales, no se acoge como medio para llegar a, sino como base fundante
de cualquier proyecto social. Aparte de constituir un principio, la
radicalidad democrática trata de impulsar espacios anclados en lo local,
que permitan constituir biografÃÂas personales y colectivas realmente
alternativas al orden existente, y en las que las personas sean los
centros y no las organizaciones. No es una cuestión de eficiencia o
de nuevas metodologÃÂas de movilización, sino de valores polÃÂticos que,
parcialmente, se ven impulsados por estructuras como internet, velando
por la existencia constante de compartimentos sociales que no puedan
ser fagocitados por un pensamiento o sistema organizativo, sea éste
de la ÃÂndole que sea. Las asambleas (del MST o de los movimientos de
aquÃÂ), la búsqueda de acciones que liguen lo local a lo global (campamentos,
ocupaciones, consultas sociales, llamadas a la acción, el trabajo en
los barrios), han venido para quedarse. Y la incomprensión o el rechazo
de esta cultura polÃÂtica genera a veces tensiones cuando se insiste
en dar preeminencia a una hipotética estructura antes que a una coordinación
demandada por una necesaria función; coordinación que ha de crecer al
calor de experiencias compartidas y confianzas asentadas en el seno
de una diversidad de sensibilidades polÃÂticas.
AsÃÂ, el Foro Social de Génova no es una experiencia "transportable"
a la realidad social de nuestro Estado. Las redes sociales que lo componen
tienen un inusitado vigor fruto de múltiples experiencias locales (afianzamiento
en los 90 de las redes de centros sociales okupados y de movimientos
zapatistas como Ya Basta que pasaron a convertirse en importantes referentes
polÃÂticos y culturales; sinergias positivas de base entre movimientos
cristianos, pacifistas, ONGs, etc. como puede ser la Rete Lilliput;
fortaleza del movimiento estudiantil), y de la confianza tejida, fruto
de años de interacción en torno a dinámicas concretas de lucha polÃÂtica,
entre movimientos sociales y ciertos sindicatos (Confederazione Cobas)
y partidos (caso de Rifondazione Comunista, Verdi, y otros). El Foro
Social de Génova deberÃÂa ser, entonces, una experiencia aleccionadora
e ilusionante de cómo traspasar el umbral de esta etapa "pre-social",
caracterizada por una debilidad extrema de culturas sociales que se
adecuen a un trabajo "en redes", lo que imposibilita un diálogo polÃÂtico
sostenido y una construcción de discursos y acciones compartidos.
Por el contrario, parece que las campañas bajo la presidencia española
de la Unión Europea se volverán a caracterizar por una preeminencia
de la protesta y de la sensibilización en torno a las grandes cumbres.
Propuestas de trabajo local que ayudasen a vertebrar y conectar redes
de base han pasado desapercibidas. La ciudadanÃÂa difÃÂcilmente se va
a acercar a unos movimientos sociales si éstos permanecen lejanos, desconectados
entre sày más pendientes de hacer valer intereses o visiones particulares
del conflicto.
Atreverse a sugerir direcciones de los movimientos de solidaridad global
es, más que arriesgado, un ejercicio poco recomendable, habida cuenta
de que, sin obviar experiencias históricas de luchas sociales, estamos
ya embarcados en una realidad polÃÂtica en la que los procesos son "muy
actuales" y están "muy vivos"9.
Por ello, me atreveré a sugerir algunas claves sobre las que deberÃÂamos
reflexionar para, sin decidir el hacia dónde caminar, sànos ayuden
a construir el cómo caminar: ·
- Acción: sólo un adecuado balance (para poner en evidencia los
conflictos y "resolverlos") entre iniciativas locales y globales
nos permitirán agrandar nuestro tejido social; amén de hacer de
la ciudadanÃÂa el sujeto histórico de cambio, debe buscarse la complementariedad
entre desobediencias constructivas, sensibilización y presión institucional.
·
- Coordinación: habilitación de espacios radicalmente locales y
democráticos desde los que delegar en coordinaciones más globales
atendiendo al contexto cultural y a las necesidades polÃÂticas; refuerzo
de la comunicación entre redes sociales mediante espacios e iniciativas
al margen de campañas que permitan compartir biografÃÂas y códigos
culturales. ·
- Sentido polÃÂtico: convivencia incluyente de grandes narrativas
que puedan ir sedimentando en principios comunes, de tal manera
que se prime el aumento de la vitalidad de los procesos reales en
aras de lo común sobre los debates idealistas, los hechos inconexos
y los deseos de marcar direcciones.
En cualquier caso, cada movimiento social deberá hacer un esfuerzo
por entender posiciones y culturas que, en principio, nos parecerán
"ajenas" o "contrarias" a "nuestro" espÃÂritu de solidaridad. La articulación
social exigirá firmeza en valores a la vez que generosidad en las iniciativas
concretas10
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