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21/06/2005 - Movimento social divulga carta de apoio a Lula
MST, CUT e outros movimentos sociais divulgaram nesta terça-feira, em BrasÃÂlia, a Carta ao Povo Brasileiro. Leia a integra do documento divulgado em defesa do governo Lula. Contra a desestabilização polÃÂtica do governo e contra a corrupção: Por mudanças na polÃÂtica econômica, pela prioridade nos direitos sociais e por reformas polÃÂticas democráticas! A sociedade brasileira mudou e, na Constituinte de 1988, decidiu por mudanças . Constituiu novos poderes e elegeu novos governantes, para promover processos de transformação social. Criou novas estruturas, combateu velhas instituições e gerou novos mecanismos para fazer valer os direitos de todas e cada uma das pessoas a uma vida digna. Com a força desta história recente, mas vigor osa, de fortalecimento e radicalização da democracia em nosso paÃÂs que nós, representantes das organizações populares, das organizações não governamentais, do movimento sindical, dos movimentos sociais e personalidades, convocamos toda a sociedade brasileira, cada cidadão e cada cidadã, para uma grande e contÃÂnua mobilização que torne possÃÂvel enfrentar a crise polÃÂtica e fazer prevalecer os princÃÂpios democráticos. Nas últimas eleições, com a esperança de realizar mudanças na polÃÂtica neoliberal que vinha sendo praticada desde 1990, o povo brasileiro elegeu o Presidente Lula. Até este momento, avaliamos que pouca coisa mudou e presenciamos um mandato cheio de contradições. De um lado, o governo seguiu com uma polÃÂtica econômica neoliberal, resultado de suas alianças conservadoras. De outro, adotou um discurso da prioridade social e uma polÃÂtica externa soberana e de aliança com as nações em desenvolvimento. A eleiçã o do Lula reacendeu as esperanças na América Latina, e influiu de forma positiva em alguns conflitos polÃÂticos na região. De olho nas eleições de 2006, as elites iniciaram, através dos meios de comunicação uma campanha para desmoralizar o governo e o Presidente Lula, visando enfraquecê-lo, para derrubá-lo ou obrigá-lo a aprofundar a atual polÃÂtica econômica e as reformas neoliberais, atendendo aos interesses do capital internacional. Preocupados com o processo democrático e também com as denúncias de corrupção que deixaram o povo perplexo, vimos àpublico dizer que somos contra qualquer tentativa de desestabilização do governo legitimamente eleito, patrocinada pelos setores conservadores e antidemocráticos. Exigimos completa e rigorosa investigação das denúncias de corrupção, feitas ao Congresso Nacional e àimprensa, e punição dos responsáveis. Sabemos que a corrupção tem sido, lamentavelmente, o método tradicional usado pelas elites para governarem o paÃÂs. Exigimos também a investigação das denúncias de corrupção, por ocasião da votação da emenda constitucional que aprovou a reeleição e dos processos de privatização das estatais ocorridas no governo de Fernando Henrique Cardoso. Trata-se, portanto, de fundamentar a vida polÃÂtica em princÃÂpios éticos como a separação entre interesses privados e interesses públicos, de transparência nos processos decisórios e a promoção da justiça social. Diante da atual crise, o governo Lula terá a opção de retomar o projeto pelo qual foi eleito, e que mobilizou a esperança de milhões de brasileiros e brasileiras. Projeto este que tem como base àtransformação da sociedade e do Estado brasileiros, uma sociedade dividida entre os que tudo podem e tudo têm e aqueles que nada podem e nada têm. Por isso, vimos a público defender, e propor ao governo Lula, ao Congresso Nacional e a sociedade civil, as seguintes medidas: 1 - Realizar e apoiar uma ampla investigação de todas as denúncias de corrupção que estão sendo analisadas no Congresso Nacional e punir os responsáveis 2 - Excluir do governo federal setores conservadores que querem apenas manter privilégios, afastar autoridades sobre as quais paira qualquer suspeição e recompor sua base de apoio, reconstruindo uma nova maioria polÃÂtica e social em torno de uma plataforma anti-neoliberal. 3 - Realizar mudanças na polÃÂtica econômica no sentido de priorizar as necessidades do povo e construir um novo modelo de desenvolvimento. A sociedade não suporta mais tamanhas taxas de juros, as mais altas do mundo, sob o pretexto de combater a inflação. A sociedade não sustenta a manutenção de um superávit primário, que apenas engorda os bancos. Os recursos públicos têm de ser investidos, prioritariamente, na garantia dos direitos constitucionais, entre eles, emprego, salário-mÃÂnimo digno, saúde, educação, moradia, reforma agrária, meio ambiente, demarcação das terras indÃÂgenas e quilombolas. 4 - Realizar, a partir do debate com a sociedade, uma ampla reforma polÃÂtica democrática. Uma reforma que fortaleça a democracia e dê ampla transparência ao funcionamento dos partidos polÃÂticos e aos processos decisórios. Por isso, somos favoráveis àfidelidade partidária, ao financiamento público exclusivo das campanhas, àexclusão das cláusulas de barreira, e àapresentação de candidaturas em listas fechadas com alternância de gênero e etnia, obedecendo critérios de representação polÃÂtica pluriétnica e multiracial. Queremos também a imediata regulamentação dos processos de democracia direta, que implica o exercÃÂcio do poder popular mediante plebiscitos e referendos, conforme proposta apresentada pela CNBB e a OAB ao Congres so Nacional. 5 - Fortalecer os espaços de participação social na administração pública e criar novos espaços nas empresas estatais e de economia mista, viabilizando o controle social e real compartilhamento do poder. 6 - Fortalecer as iniciativas locais em favor da cidadania e da participação e da educação popular, como por exemplo os comitês pela ética na polÃÂtica, conselhos de controle social, escolas de formação polÃÂtica. 7 - Enfrentar o monopólio dos meios de comunicação, garantindo sua democratização, inclusive através do fortalecimento das redes públicas e comunitárias. Neste momento de mobilização, conclamamos as forças democráticas e populares a se mobilizarem para realizar manifestações de rua e protestos, e trabalhar para promover as verdadeiras mudanças que o paÃÂs e o povo precisa. BrasÃÂlia, 21 de junho de 2005. Atenciosamente Seguem-se ent idades e movimentos da sociedade e da CMS (Coordenação dos Movimentos Sociais) CUT - Central Única dos Trabalhadores MST - Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra CMP - Coordenação dos Movimentos Populares UNE - União Nacional de Estudantes ABI - Associação Brasileira de Imprensa ABONG - Associação Brasileira de ONG INESC - Instituto de Estudos SocioEconômicos CNBB/PS - Conferência Nacional dos Bispos do Brasil / Pastorais Sociais P.O Nacional - Pastoral Operária Nacional Grito dos ExcluÃÂdos Marcha Mundial de Mulheres UBM - União Brasileira de Mulheres UBES _ União Brasileira de Estudantes Secundários CONEN _ Coordenação Nacional de Entidades Negras JOC - Juventude Operária Cristã MTD - Movimento dos Trabalhadores Desempregados MTST - Movimento dos Trabalhadores Sem Teto CONTEE _ Confederação Nacional dos Trabalhadores em Estabelecimento de Ensino CNTE - Confederação Nacional dos Trabalhadores da Educação Federação Nacional dos Advogados CONAM _ Confederação Nacional de Associações de Moradores UNMP - Ação da Cidadania Contra a Fome, a Miséria e pela Vida CEBRAPAZ ABRAÇO _ Associação Brasileira de Rádios Comunitárias CIMI - Conselho Indigenista Missionário CPT - Comissão Pastoral da Terra FENAC - Federação Nacional das Associações AMB - Articulação de mulheres brasileiras CFEMEA - Centro Feminista de Estudos e Assessoria IBRADES - Instituto Brasileiro de Desenvolvimento EDUCAFRO - Educação e Cidadania de Afrodescendentes e Carentes MSU _ Movimento dos Sem Universidade CONIC _ Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil ANPG _ Associação Nacional dos Pós Graduandos CSC - Corrente Sindical Classista MPA _ Movimento dos Pequenos Agricultores IBASE _ Instituto Brasileiro de Ana lises Sociais e Econômicas Federação Nacional dos Economistas Sindicato dos economistas do DF Conselho Nacional de Iyalorixás e Ekedes Negras CBJP - Comissão Brasileira Justiça e Paz Campanha Jubileu Brasil contra as dÃÂvidas e contra a Alca |
