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Análise de Conjuntura Política: Notas para o MST PDF Imprimir E-mail

2005

Plínio de arruda Sampaio

1. A Revolução de 1930 marcou a entrada das massas populares na política brasileira. O sistema político, que aí teve início, fundou-se no que os cientistas políticos denominaram “pacto populista de poder”. A mudança não significou que as massas passassem a participar diretamente das decisões do Estado. A política continuava sendo território exclusivo das elites, somente que o governo do Estado passava a ser entregue à facção que contasse com o apoio das massas populares urbanas. Getúlio, Jânio, Jango são todos membros e representantes de facções da elite e governaram enquanto detiveram o apoio das massas.

2. A dinâmica da política populista gerou a crise dos anos 60 e a contra-revolução de 1964. Romperam-se então o pacto populista e a institucionalidade democrática que o legitimava. Na recomposição desta – um processo que vai de 1974 a 1984 – surge um elemento novo no quadro político brasileiro : as massas populares, que até então participavam na política como clientela das lideranças populistas, conseguiram estabelecer uma “cabeça de ponte” nesse território. O PT foi o autor desse feito. O PT não é um partido de uma facção da elite mas representativo de movimentos genuínos da massa, que se unificaram no bojo das lutas pela volta da legalidade (CUT, MST, CEBs, Pastorais Sociais da Igreja). Esta constatação não desmerece as tentativas anteriores, mas assinala apenas que foi a partir da criação do PT que o processo político mudou de qualidade: deixou de ser uma disputa entre facções de elite para se tornar um confronto direto entre uma vanguarda popular (representada pela coligação de partidos de esquerda liderados pelo PT) e as elites dominantes. Pela primeira vez, em quinhentos anos de história, a luta de classes polarizou-se: partidos do povo versus partidos das elites.

3.Este formidável salto apresentou dois momentos em sua evolução: do final dos anos 70 até a primeira candidatura de Lula em 1989; e desta data até a Carta aos Brasileiros, escrita por Lula em 2.002.

O primeiro momento foi de avanço (campanhas da reforma agrária e da anistia, Constituinte de 88; fundação da CUT, MST, PT; explosão das CEBs; vitórias eleitorais em São Paulo, Porto Alegre, Vitoria; campanha eleitoral do Lula)

O segundo momento foi de desaceleração. Motivaram esse recuo: o impacto da virada neoliberal do capitalismo internacional no Brasil e a unificação das elites em torno da renuncia ao projeto de construção nacional que havia marcado a Era Vargas.

Durante a década de 90, as forças populares sofreram derrotas importantes: a CUT perdeu a combatividade; os movimentos da Igreja foram desmobilizados; o PT enveredou pela via eleitoralista. Sem condições de avançar, tiveram as forças populares foram tendo dificuldades cada vez maiores para sustentar a “cabeça de ponte” que haviam conseguido fincar no território da política.

A pá de cal nessa involução veio com a campanha eleitoral de 2.002, especialmente a partir da Carta aos Brasileiros – documento em que Lula ofereceu aos credores internacionais e ao “mercado”brasileiro ( leia-se ao “establishment”capitalista) garantia de cumprimento dos compromissos firmados por FHC.

Ao aceitar esse compromisso, o PT renunciou o projeto de transformarão socialista e converteu-se em mais um partido da ordem estabelecida. No elenco desses partidos, seu governo diferencia-se unicamente por uma sensibilidade social maior do que os demais. Em outras palavras: o governo do PT, uma vez garantida a estabilidade financeira exigida pelo imperialismo e pelo mercado, destina os recursos sobrantes no orçamento do Estado a mitigar os sofrimentos do povo.

Isto é muito pouco e não dá conta de atalhar o acelerado processo de “barbarização” do país. Todas as tentativas feitas nestes dois anos para avançar além do assistencialismo esbarraram no veto do imperialismo e do mercado. Confirma-se, assim, a tese de Florestan Fernandes: o capitalismo brasileiro não tem mais nenhum papel civilizatório no Brasil.

4. A conclusão desta análise é que as massas populares perderam a “cabeça de ponte” que haviam conseguido fincar em solo inimigo. Dito de outro modo: o socialismo, enquanto proposta alternativa representada pelo PT, foi excluído da disputa política institucional. Não, obviamente, no sentido de que foi considerado ilegal, como aconteceu com as ideologias de esquerda após 64, mas no sentido de que a posição dos socialistas enfraqueceu-se tanto na correlação de forças políticas que, hoje, seu posicionamento não afeta em nada o resultado das decisões políticas.

A decorrência lógica desta conclusão é que os socialistas, não tendo como avançar na esfera da política institucional - dado que o PT foi cooptado pela ordem estabelecida – precisa construir uma estratégia que lhes permita avançar no “andar de baixo, ou seja, crescer por fora do atual sistema de tomada de decisões do Estado. Seu espaço de atuação voltou a ser a esfera da pressão social direta e da doutrinação política.

5. As tarefas do momento são portanto:

aproveitar a legalidade para mobilizar setores populares na reivindicação de direitos; aproveitar as brechas e divisões da elite para realizar atos de desobediência civil;
denunciar o sistema,

articular os grupos socialistas dispersos pelo país;
realizar um sério trabalho de reflexão sobre a trajetória do socialismo no mundo e do país; formar quadros.

Se essas tarefas forem cumpridas, será possível reconquistar a posição perdida e montar uma nova ofensiva na linha da trajetória para o socialismo, assim que houver uma nova onda de assenso de massas.

Tudo indica que seja possível apostar nessa nova onda, embora não se possa fazer nenhuma previsão acerca da data da sua eclosão.

6. O MST e a conjuntura

O MST assumiu nestes 20 anos uma posição impar no quadro político brasileiro. Ele é um movimento social mas com uma grande influência na esfera da política.

No primeiro momento do processo de assenso de massas, o Movimento cresceu como os demais, no bojo da onda popular. Diferenciou-se apenas por um grau de radicalidade maior, inerente ao tipo de embate que trava com a elite, pois a reforma agrária afeta diretamente o instituto da propriedade, enquanto os demais impactam somente os fluxos de renda do capital.

No segundo momento, quando CUT, CEBS e PT perderam o ímpeto, o MST ficou sozinho na posição de enfrentamento com o “establishment””. Era natural, portanto, que se tornasse a grande referência de todos os grupos engajados na luta pela transformação social.
 
Paradoxalmente, essa posição de liderança sofreu sério golpe com a eleição de Lula.

Como era de se esperar, a população rural e os setores populares urbanos que votaram em Lula contavam certos com a reforma agrária. Mas a resposta do governo foi pífia e, até agora, não deu sinais de melhora, não só por causa das restrições orçamentárias, mas porque fica dia a dia mais claro que a política adotada é realizar assentamentos rurais sem contrariar o lobby do latifúndio e do agronegócio.

Em razão disso, o MST enfrenta atualmente um dilema: radicalizar a pressão pela reforma agrária ou moderá-la?

Se radicalizar, perderá o apoio de Lula e terá de enfrentar sozinho a violência do latifúndio, correndo ainda o risco de que essa violência, não sendo contida pelo Estado, amedronte a população rural, com graves conseqüências para o avanço da luta camponesa.

As ações mais recentes do latifúndio dão a impressão de que a direita percebeu o dilema do Movimento e decidiu pressionar o governo para que este passe a impedir policialmente as ocupações. CPI da Terra; massacre de Felizburgo; assassinato da Irmã Dorothy; eleição de Ronaldo Caiado para presidir a Comissão de Agricultura da Câmara são sintomas dessa escalada.

7.No quadro político brasileiro, o MST não é apenas um movimento social que expressa uma reivindicação “corporativa”(no sentido de demanda de um segmento da população) . A importancia estratégica da reforma agrária torna o movimento, automaticamente, uma força política diretamente envolvida na política. Além disso, o MST tem uma clara opção ideológica: trata-se de uma força socialista, ainda que somente seus quadros tenham feito explicitamente esta opção.

Por ser uma força política – e a única que ficou em posição de luta aberta contra o sistema nestes últimos dez anos – o MST adquiriu um grande poder convocatório e agregou em torno de si grupos socialistas dentro e fora do PT.

A crise que se desenvolve no interior do PT e que abrange todo o movimento socialista brasileiro cria um novo dilema para a organização: continuar ligado ao PT ou afastar-se dele?
 
Parcela significativa dos militantes mais aguerridos já abandonou o partido; outra parcela colocou-se em dissidência aberta contra a direção partidária. Mais dia, menos dia, o PT será denunciado pelos dissidentes como uma força contrária aos interesses do povo. Qual deverá ser a posição do MST diante dessa situação?

Uma estratégia possível consiste em manter-se alheio à disputa; utilizar pragmaticamente a legenda petista para eleger deputados saídos de suas fileiras ou simpáticos à sua luta; e realizar paralelamente um esforço discreto de expansão do seu braço político: a Consulta Popular.

Do ponto de vista de sua base rural, parece não haver dificuldade na execução desta estratégia, pois a popularidade de Lula entre os sem terra continua muito grande; mas, do ponto de vista da liderança que o Movimento tem na esquerda e da contribuição que pode fazer para o avanço do socialismo no país, não será fácil poupar o PT e manter-se na vanguarda.

A posição oposta, de afastamento e denúncia do PT, implica rompimento com o governo e isolamento na disputa com o latifúndio.

A gravidade da constatação desse dilema é que não se vê sinais de que haja possibilidades concretas de avanço da luta socialista em outros setores da massa popular.

Nunca talvez em outro momento da vida nacional foi tao importante – e tão difícil – cumprir as três tarefas do militante socialista, tal como Florestan Fernandes as formulou: “não se deixar cooptar; não se deixar liquidar; conseguir vitórias para o povo”.

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Marcha Nacional pela Reforma Agrária chega à Brasília PDF Imprimir E-mail

Há 13 dias na estrada, os marchantes chegaram hoje ao seu destino, a cidade de Brasília. Acampados próximos ao Zoológico, eles ainda caminharão amanhã mais 10 quilômetros até o estádio Mané Garrincha, onde ficam alojados. Neste final de semana, mais trabalhadores e trabalhadoras rurais, além de muitos apioadores do MST, se juntaram à mobilização. A Marcha começou cedo. Por volta de 6h30 as fileiras já estavam montadas. O teólogo Leonardo Boff, que ontem participou das atividades de formação do Movimento, carregou a faixa de abertura. O senador Eduardo Suplicy (PT-SP) se juntou ao grupo no final do percurso. Na metade do trajeto, os trabalhadores e trabalhadoras Sem Terra da Paraíba, estado que conduziu a Marcha hoje, realizaram uma mística. Cerca de 30 pessoas se reuniram no canteiro que separa as faixas da rodovia para dançar quadrilha, dança típica da região nordeste. Durante a caminhada, muitos carros que passavam pela rodovia buzinaram e apoiaram a mobilização. Nos pontos de ônibus por onde a Marcha passava, a recepção também foi calorosa. Na chegada, a rádio Brasil em Movimento, que acompanhou toda a Marcha, animando e formando os Sem Terra, passou a ser ouvida em todo o município.


Noticia obtenida de www.mst.org.br
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Declaración Final del IV Encuentro Hemisférico de Lucha contra el ALCA PDF Imprimir E-mail
A TODOS LOS PUEBLOS DE NUESTRA AMERICA

El primero de enero de este año el mundo amaneció sin que la Organización Mundial de Comercio (OMC) adquiriera nuevos poderes sobre el destino del planeta y nuestro continente se despertó sin la calamidad de un Área de Libre Comercio de las Américas (ALCA), como lo tenían planeado y nos pretendían imponer las grandes corporaciones trasnacionales, el gobierno de Estados Unidos y sus gobiernos subordinados en la región. Quizás no se ha valorado lo suficiente el significado de este traspie para los planes imperiales y el que se haya podido detener, al menos por ahora, estas verdaderas amenazas para todos los pueblos de América. Esto ha sido posible por la emergencia en la región de gobiernos que se distancian de la hegemonía norteamericana y, sobre todo, porque estos mismos se deben a la creciente resistencia y el impulso del movimiento social que se extiende incontenible por toda América Latina, frustrando los proyectos de los poderosos y poniendo en su lugar a quien, beneficiándose primero de él, le da luego la espalda. Después de años de lucha contra el proyecto del ALCA celebramos aquí, desde Cuba, Territorio Libre de América, esta primera victoria.

 

Pero el imperio no duerme. La plaga del mal llamado "libre comercio" -esa divisa de la globalización neoliberal que busca abrir a nuestros países al saqueo indiscriminado y les niega su derecho al desarrollo- se expande por todas partes y en todas las formas que le es posible. Si bien en Cancún se descarrilaron las negociaciones de la OMC, las grandes potencias vienen trabajando para someter a sus reglas y sus intereses aspectos vitales para la humanidad como la agricultura, la biodiversidad y los servicios básicos para la educación, la salud y la seguridad social. El próximo mes de diciembre, la OMC tendrá una nueva cumbre en Hong Kong. Ahí intentarán sellar las negociaciones que excluyen y atentan contra los pueblos del mundo. No lo permitamos! Debemos salir a luchar nuevamente a escala global para frustrar esas negociaciones, pra impedir que la OMC adquiera más poderes, para detener la agenda corporativa. Además de acompañar desde el continente a quienes se movilizan en todo el mundo contra la OMC, estaremos luchando en Hong Kong como lo hicimos antes en Cancún.

 

Tampoco podemos decir todavía que la victoria sobre el ALCA es definitiva. Las negociaciones del ALCA pueden estar entrampadas, congeladas, pero el ALCA no ha muerto. Estados Unidos puede intentar revivir ese "cadaver" en cualquier momento, especialmente si no consigue avanzar sus intereses todo lo que desea en los escenarios globales o bilaterales. Pero aun si lo consiguiese, Estados Unidos no renunciará tan facilmente a su objetivo estratégico de colocar las piezas del rompecabezas de su dominación en el marco de una sola área hemisférica bajo su hegemonía. Debemos mantenernos vigilantes y movilizados continentalmente contra El ALCA, y exigir a los gobiernos que se precian de ser dignos e independientes el no ceder a las presiones norteamericanas y no poner en juego, así sea con mediaciones, el futuro y el derecho al desarrollo de nuestras naciones.

 

Pero el escenario más grave que enfrentamos se encuentra actualmente en CentroAmérica, el Caribe y la región andina. Al ver frustrado el proyecto original del ALCA, Estados Unidos giró inmediatamente su estrategia para avanzar por la vía de los hechos en tratados bilaterales o subregionales de libre comercio. La tesis es que si la mayor parte del continente está bajo tratados de libre comercio con Estados Unidos, el advenimiento del ALCA será sólo un trámite, o los países que se resistan queden aislados. Así, Estados Unidos se ha dedicado a presionar a los países centroamericanos y a República Dominicana en el Caribe, así como a los países andinos, para que se sometan a tratados de libre comercio leoninos, injustos, expoliadores, que los subordine definitivamente a los intereses de las grandes corporaciones norteamericanas y cancele para siempre sus posibilidades de desarrollo independiente. Centroamérica y República Dominicana representan el paso siguiente a consolidar por parte del imperio. Falta la ratificación de Costa Rica, Nicaragua, RepúblicaDominicana y El propio Congreso de Estados Unidos. Ahí, en Centroamérica y la región andina está hoy el principal campo de batalla contra los planes de dominación del imperio. Si logran pasar estos tratados de libre comercio, el ALCA estará más cerca de hacerse realidad. No lo podemos permitir! Los pueblos de Centroamérica y la región andina están resistiendo, movilizándose, librando duras batallas y haciendo nuevos sacrificios para detener esta amenaza. Así está siendo en Guatemala, donde la represión ha vuelto a aparecer cobrando la primera víctima mortal en nuestra lucha contra el libre saqueo por parte del imperio. Desde aquí rendimos homenaje al compañero Juan López, hermano guatemalteco asesinado por el terrible crimen de luchar por la soberanía de su país (pedimos un minuto de silencio en su memoria) (pedimos ahora un minuto de aplausos a su lucha).

 

Todos los pueblos de América debemos unirnos para apoyar la resistencia de nuestros hermanos y hermanas de Centroamérica y la región andina contra los tratados de libre saqueo! Esta es hoy nuestra prioridad en esta lucha!

 

Y los tratados de libre comercio no son las únicas amenazas que seguimos enfrentando. Todos los días, sin esperar a los tratados, las trasnacionales y sus "socios locales" trabajan para privatizar lo que todavía no han terminado de adueñarse. Ahora van sobre la energía, la educación, la salud y la seguridad social, la biodiversidad, el agua, la privatización de la vida. Y junto a los intentos privatizadores, sigue pendiendo sobre nuestros países el peso y el chantaje de la deuda, cuando la hemos pagado tantas veces que más que deudores somos acreedores y nuestras naciones deberían ser compensadas. Lo más ominoso, sin embargo, es que para empujar esa agenda, para imponer sus planes, Estados Unidos es cada vez más intervencionista, más colonialista, más belicista y, bajo el mando –ratificado desafortunadamente para el mundo-- de George Bush, busca imponer ahora la visión de seguridad del imperio como si fuese la seguridad de todo el mundo, pretendiendo subordinar a los países del hemisferio a su mando también en este terreno, además de promover y apoyar la militarización de regiones enteras. No partimos, sin embargo, de cero en la resistencia a todas estas amenazas y calamidades. En las diferentes regiones del continente se libran cada vez más luchas, muchas veces con éxito, contra la privatización y entrega de la energía, del agua, de la educación, de la salud; crece la oposición al pago de la deuda y la resistencia a la militarización; se lucha contra el perverso modelo de "libre comercio", por la tierra y la soberanía alimentaria; cada vez en más países nuestros pueblos, por su voluntad, ponen y deponen gobiernos. Bajo este impulso, por primera vez en muchos años, el surgimiento de gobiernos latinaomericanos no serviles a Washington está contradiciendo y complicando sus proyectos colonialistas. Se perfila cada vez más la idea de una integración distinta, de bloques del sur de países en desarrollo para encarar juntos el poderío y las ambiciones desmedidas del norte. Por supuesto, no basta con otra integración, la del sur con el sur, sino que es indispensable que ésta esté basada en un modelo radicalmente distinto de desarrollo e intercambio, para que realmente redunde en beneficio de nuestros pueblos y naciones.

 

Y precisamente el nivel y la unidad que han alcanzado las luchas de nuestros pueblos nos permite y nos exige, sin abandonar las luchas de resistencia, pasar cada vez más a proponer y construir desde abajo una visión propia de integración y desarrollo, alternativa al neoliberalismo y el "libre comercio", que ponga por delante la complementariedad de las naciones antes que la competencia; que ponga por delante los derechos humanos, sociales, ambientales y de género; que parta de reconocer las desigualdades y asimetrías; que reconozca el derecho de las naciones a proteger y desarrollar sus recursos estratégicos y naturales, las áreas vitales para su sobreviviencia; que haga posible, en fin, otra América más justa, libre y verdaderamente democrática.

 

El nivel y la unidad que han alcanzado nuestras luchas a escala hemisférica nos exige dar un paso más en los procesos de articulación y en nuestra agenda. Por todo esto es que desde aquí, desde esta ciudad de La Habana, convocamos a la Tercera Cumbre de los Pueblos de América, a realizarse en noviembre en Mar del Plata, Argentina. Ahí, los días 4 y 5, estará reunida la IV Cumbre de las Américas, a la que asistirán los 34 presidentes de los países miembros de la OEA --de la que está excluída honrosamente Cuba--, incluyendo al conocido terrorista George. W. Bush. Más allá de la simulación de buenas intenciones y de la retórica oficial de la Cumbre de las Américas, convocamos a nuestros pueblos a encontrarse en su propia cumbre, para enterrar de una vez por todas al ALCA, para decir ya basta de tratados de libre comercio y de privatizaciones, para hacer oir su voz y sus reivindicaciones, para pasar a un nivel superior de unidad en la lucha.

 

Convocamos a encontrarnos también en el Foro Social Mundial que tendrá lugar en Caracas, Venezuela, primera línea de la dignidad y la resistencia a los planes imperiales, en enero del año entrante, para avanzar en la construcción de nuestra agenda y alternativas al modelo neoliberal.

 

Hermanas y hermanos de toda América,

 

Con enormes esfuerzos y grandes sacrificios, estamos avanzando. No es la hora de desmayar, sino de redoblar nuestra organización y nuestras luchas. Convocamos a movilizarnos:

 

* Contra los TLC de Centroamérica y la región andina

 

* Contra la OMC

 

* por enterrar definitivamente El ALCA

 

* contra las privatizaciones, la deuda y la militarización

 

* por una alternativa desde los pueblos a la globalización neoliberal.

 

Convocamos a encontrarnos en la III Cumbre de los Pueblos de América en Mar del Plata en noviembre de este año y en El Foro Social Mundial de Caracas en enero del año entrante.

 

Seguros de que por este camino iremos,

 

Hasta la victoria siempre!

 

Otra América es posible

 

LA HABANA, 30 DE ABRIL DEL 2005

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17 de abril. Dia de la lucha campesina PDF Imprimir E-mail
El 17 de abril de 1996 la Policía Militar del Pará recibió ordenes para desalojar a cualquier precio la carretera que habían ocupado 1.800 trabajadores del campo que marchaban para reivindicar expropiaciones de tierras en el sur del estado. La policía salió preparada de su cuartel sin identificación en el uniforme. Sin registro de armas y munición. Eran órdenes superiores. 19 muertos. 46 heridos. La policía militar cumplía órdenes expresas del gobernador del estado, Almir Gabriel, del Partido de la Socialdemocracia Brasileña al que pertenecía el anterior presidente de Brasil, Fernando Henrique Cardoso.

Vía Campesina Internacional, declaró entonces el día 17 de abril, Día Internacional de Lucha Campesina. Todos los años, en un número creciente de países, las organizaciones campesinas realizan luchas y movilizaciones, en la lucha por la reforma agraria y en la defensa de sus derechos.

Este año 2005, la mayor movilización se realizó en el lugar donde ocurrieron hace ya nueve años los asesinatos, en Eldorado dos Carajás, donde se juntaron casi 5000 campesinas y campesinos de todo el estado de Pará. Actos semejantes se dieron a lo largo de todo Brasil. A lo largo de todo el mundo se han repetido estas protestas y manifestaciones de apoyo a la lucha campesina. Desde la India hasta el mismo Washington. En el estado español, en  Barcelona, Euskadi, Córdoba, Madrid, Asturias y Galicia los comités de apoyo al MST han realizado diversos actos para conmemorar este día y también para mostrar el apoyo a la marcha que el MST realiza desde el 1 de mayo y que llegará hasta Brasilia. 
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Marcha por la Reforma Agraria (Artículo Diagonal) PDF Imprimir E-mail
El MST camina otros 300 kilómetros por la reforma agraria y por un cambio en la política económica

Desde el pasado 1º de mayo que partieron de Goiana y haciendo una media de 20 kilómetros diarios la impresionante columna de casi 11.000 campesinas y campesinos venidos de 23 Estados de Brasil caminan para llamar la atención de la sociedad brasileña sobre la grave situación de pobreza y desigualdad en el campo y para exigir al presidente Luiz Inacio Lula da Silva la aceleración de la reforma agraria y cambios en su política económica.

En el circuito de Anápolis, en uno de los múltiples actos que plagan la marcha, frente a casi 12.000 personas Joao Pedro Stédile, coordinador del MST, reclamó al gobierno de Lula que abandone la "línea conservadora" que lleva a cabo y que de una vez cumpla lo prometido respecto a la Reforma Agraria.

Así las mujeres, hombres, y niños (entre los que se encuentra Luis Beltrane, de 97 años) convocados por el MST, y las agrupaciones Vía Campesina y Grito de los Excluidos, van recorriendo los más de 300 kilómetros que separan la capital del estado de Goias y Brasilia por las carreteras brasileñas escuchando en directo los programas de Voces da Terra, la radio que se realiza en directo desde la marcha.

Llevan a sus espaldas todo lo que necesitan, tiendas para dormir, víveres, y hasta sus propias cocinas, queriendo con esta marcha hacer frente a la presión que el gobierno recibe día a día por parte de grupos como la burguesía del campo, pero también organismos internacionales como el Banco Mundial y el Fondo Monetario Internacional. Stédile, recordó que "mientras esta política neoliberal continua, cientos de miles de familias sin tierra viven en condiciones muy precarias, con problemas para alimentarse y acceder a servicios básicos, como la educación".

A la vez que reclaman este acceso a la educación, el MST ha sabido construir una alternativa, y son capaces de ofrecer clases a las niñas y niños que están participando en la marcha, para que no pierdan el ritmo de sus compañeras que se han quedado en los asentamentos y ocupaciones. Pero el MST reclama una reforma agraria integral, que incluya la cuestión de la
tierra, políticas para incentivar la producción, asistencia técnica, el fomento de las comunidades locales y del campo y otros aspectos como el mencionado acceso a la educación.

El coordinador del MST recordó también al gobierno Lula que "hicimos un acuerdo en noviembre de 2003, en el cual se comprometió a asentar 430.000 familias en sus tres años de mandato que todavía le restaban". Ha pasado casi un año y medio, y las cifras no le cuadran al gobierno Lula: hasta ahora ha asentado a menos de 60.000 familias. Faltan veinte meses de mandato y 370.000 familias a ser asentadas.

Pero las campesinas y campesinos que participan de la marcha saben que la reforma agraria no es suficiente para transformar el Brasil y reclaman un cambio en la política económica que en la actualidad está en manos de "los mismos pajarracos del Ministerio de Hacienda y del Banco central que manejaban el país hace ocho años, en el gobierno de Fernando Enrique
Cardoso". Así reclaman que los 60 billones de reales del superávit primario que el gobierno Lula se jacta de haber creado "para aplicarlos en inversiones que garanticen empleo para todos". Emplearlos en educación, en la universidad, en incrementar el salario mínimo, que se dejen de pagar las enormes deudas que ya se han pagado con infinitos intereses.

Por todas estas razones, más de diez mil personas están caminando, descalzas muchas de ellas, por las carreteras brasileñas, para acercar a Lula a esa tierra que pisan, a esa tierra por la que luchan, a esa tierra por la que en muchas ocasiones mueren.

Información diaria de la marcha en:
http://www.mst.org.br/informativos/especiais/marcha/home.htm





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