| Agenda |
|---|
| ¿Qué es el MST? | |||||||||
|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|
|
| Imágenes |
|---|
| Otras en lucha |
|---|
| Visitantes |
|---|
| Tenemos 612 visitantes en línea |
| Los más leídos |
|---|
| Há um golpe em marcha no paÃÂs |
|
|
|
|
O golpe em marcha não é contra o governo Lula: É apoiado por ele e quer perpetuar sua polÃÂtica econômica Carlos Eduardo Carvalho*, 22.07.05 Há um golpe em marcha no paÃÂs, sem dúvida, mas não é contra Lula e seu governo, como alardeiam seus defensores. O golpe tem o singelo nome de déficit nominal zero. Esta é a única proposta no cenário polÃÂtico atual que implica mudanças nas instituições: quer alterar a norma constitucional que destina parcelas especÃÂficas do gasto público para educação e saúde e quer introduzir na Constituição a obrigatoriedade do déficit nominal zero. Este é o golpe a enfrentar. A Carta Magna é uma das instituições fundamentais da República. Alterar a Constituição por um casuÃÂsmo é um golpe. Alterar a Constituição para defender uma opção de polÃÂtica econômica é um golpe. O golpe tem autor conhecido, o velho golpista Delfim Netto, ministro da ditadura e notório defensor dos métodos antidemocráticos e dos interesses antipopulares. O objetivo do golpe é perpetuar a polÃÂtica econômica do governo Lula, garantindo a ela uma "blindagem constitucional". O objetivo é mexer nas instituições para penalizar a maioria dos brasileiros, em proveito de uma reduzida minoria. Os perdedores serão os trabalhadores, os pobres em geral. Os ganhadores serão os rentistas, os credores do estado e os banqueiros. Trata-se de um golpe, sem dúvida, um golpe contra o povo brasileiro. Tem o apoio do governo Lula. Os reais objetivos da proposta estão dissimulados sob uma apresentação "técnica", como é hábito de seu melÃÂfluo autor. Na base está o reconhecimento de que a atual polÃÂtica econômica é perigosa. Os juros altos impedem o crescimento sustentado, pressionam a dÃÂvida pública, o endividamento público não se reduz, o que é o argumento para mais juros altos, um cÃÂrculo vicioso que preocupa até os seus beneficiários. Trata-se então de criar condições para reduzir os juros. Esta declaração de bons propósitos alivia as dores de consciência de muitos petistas "mais àesquerda" e atende aos reclamos de parte da sociedade. Delfim e outros representantes do grande capital têm medo de que haja descontrole na economia, no caso de uma crise externa, e a dÃÂvida pública se torne inadministrável. Têm medo também de que o desgaste do governo Lula dê lugar a outro governo, o qual seria imprevisÃÂvel, e poderia até mesmo tentar romper a ditadura dos credores e dos rentistas sobre o estado brasileiro. A questão crucial é garantir que os juros da dÃÂvida pública serão pagos com a pontualidade e a generosidade de hoje, por muitos anos àfrente. Trata-se de estabelecer uma camisa-de-força: garantir, em preceito de natureza constitucional, que o pagamento dos juros da dúvida pública terá precedência absoluta sobre todos os demais compromissos do estado brasileiro. Nada disso pode ser dito às claras, é óbvio. A proposta é justificada com a necessidade de baixar os juros. Entra aqui a pitada de lugar-comum, de bom senso de almanaque: o paÃÂs precisa de "contas em ordem", de "equilÃÂbrio fiscal". É o truque de sempre: fica implÃÂcito que os juros são altos por conta do déficit fiscal. Esta tese nunca foi demonstrada. Sustentamos durante anos que o déficit cresceu nos governos tucanos por conta da polÃÂtica cambial e da estratégia de estabilização do Plano Real. Os juros são altos porque a dÃÂvida cresceu, porque a posição cambial do paÃÂs é vulnerável e porque a polÃÂtica de Malan e Palocci é "comprar" o apoio dos mercados "pagando" com juros imorais. Para não reabrir esta polêmica, vamos analisar a proposta dentro do pressuposto implÃÂcito dos seus autores, de que o problema é de natureza fiscal. Em 2004, ano de grande crescimento econômico, o setor público gerou superávit primário de R$ 80 bilhões. Este é o resultado corrente de todos os nÃÂveis de governo: receitas tributária menos despesas de custeio, polÃÂticas públicas, investimentos, previdência. O gasto com juros ficou pouco acima de R$ 128 bilhões, 7,3% do PIB brasileiro. Daàresultou R$ 47 bilhões (2,7% do PIB) de déficit nominal, o resultado final de todo o setor público, inclusive gasto com juros. A proposta de Delfim é eliminar este déficit nominal, por meio de corte de despesas corrente do governo. Propõe para isso que seja reduzida em 20% a destinação obrigatória de recursos para Educação e Saúde, prevista na Constituição, e que a exigência de equilÃÂbrio no resultado nominal se torne uma regra constitucional. Feito isso, nenhum governo poderá repor a obrigatoriedade das verbas sociais sem nova emenda constitucional. Em troca, oferecem o quê? A promessa de que os juros cairão "naturalmente" É isso mesmo: uma promessa, uma simples promessa! Nenhuma exigência de que os juros caiam, nenhum compromisso prévio, nenhum prazo. E se o BC não baixar os juros, porque o petróleo subiu ou caiu, porque houve seca ou inundações, por causa do efeito estufa ou da guerra no Iraque? Bem, neste caso, o povão terá que esperar um pouco até que haja condições favoráveis para que os juros caiam enfim, como todos querem. Enquanto isso os rentistas e os banqueiros continuarão recebendo pontualmente suas rendas usurárias, a remuneração de que precisam para manter a credibilidade do governo. Vamos supor que os movimentos sociais e os remanescentes da esquerda organizada decidissem recuperar sua independência polÃÂtica e decidissem tomar iniciativas próprias para buscar uma saÃÂda pela esquerda da crise atual. Poderiam discutir a proposta de Delfim com algumas exigências mÃÂnimas: a) limitação imediata do gasto do setor público com juros; se o objetivo é "economizar" R$ 47 bilhões, propor que 75% deste corte de gastos seja feito na conta de juros; assim, o gasto anual com juros deveria encolher em R$ 35,3 bilhões até o final de 2006 e não poderia superar 5,28% do PIB, ou R$ 92,7 bilhões a preços de 2004; b) corte de despesas correntes, no montante necessário para cobrir os 25% do déficit nominal, ocorreria apenas em 2006, com reversão automática em 2007; c) aprovação imediata do princÃÂpio do orçamento obrigatório, ou seja, o Executivo fica obrigado a executar o orçamento anual, sem a prerrogativa de retardar despesas ou de não realizá-las. O sentido da proposta é simples: tratar da mesma forma as despesas correntes e as despesas com juros. Se os gastos com educação e saúde podem ser contingenciados, que o sejam também os gastos com juros. Se o BC quiser praticar juros muito altos, os encargos não serão pagos e o BC que se entenda com os mercados. Na prática, isto obrigaria o BC a cortar os juros de imediato, aquilo que o autor da proposta "promete". Em troca do sacrifÃÂcio adicional dos gastos sociais até o final de 2006, a sociedade receberia a garantia de que o orçamento será cumprido de fato e de que os cidadãos terão os mesmos direitos aos recursos públicos hoje atribuÃÂdo apenas a banqueiros e a rentistas. Uma proposta assim exigiria um posicionamento diferente dos movimentos sociais e dos remanescentes da esquerda. Ao invés de denunciar "o golpismo", sem explicar do que se trata, deveriam lançar um movimento em defesa da legalidade e da Constituição. Este movimento teria como alvo a proposta de Delfim e quaisquer tentativas semelhantes, além de barrar o suposto golpe contra Lula que muitos petistas acreditam existir. Uma proposta assim ajudaria a exigir do governo Lula a mudança da polÃÂtica econômica como condição para apoiá-lo. Se Lula não quer mudar a polÃÂtica econômica, que governe então com Palocci, Meirelles, os tucanos, a Febraban e o FMI, como tem feito. Dar apoio a Lula sem exigir a mudança da polÃÂtica econômica é dar solidariedade a esta gente. *Carlos Eduardo Carvalho - Economista, professor da PUCSP Artigo publicado na Revista Espaço Acadêmico, www.espaçoacademico.com.br |
