Lutar para mudar a vida: nas eleições e nas ruas!
Oito anos de FHC em BrasÃÂlia destroçaram o paÃÂs.
A tão falada "estabilidade" da economia simplesmente não existe. Desemprego
recorde desde 1985, fuga de capitais, concentração de renda acentuada,
falta de investimentos em áreas vitais como infra-estrutura, saúde e
educação mostram que, mantido o atual rumo, o paÃÂs caminha em marcha
acelerada rumo àmais completa desagregação social, prenunciada pela
verdadeira calamidade na área da segurança pública, com a violência
inaudita que vitima em primeiro lugar a população pobre dos grandes
centros urbanos.
O governo atual cortou fundo em áreas sociais, para obter um superávit
primário de R$ 8,97 bilhões, destinado ao pagamento de juros aos credores
da dÃÂvida pública. Aumentam as remessas de lucros, caem os investimentos
produtivos e o fluxo de capitais. Os juros aumentam para atrair capitais,
a dÃÂvida interna cresce e novos empréstimos são contraÃÂdos com o FMI.
Nos próximos meses, a crise decorrente deste modelo econômico assumirá
formas cada vez mais agudas e colocará nosso partido frente ao seu desafio
histórico. O paÃÂs está mergulhado numa luta de classes colossal, pela
importância do Brasil na economia mundial e pelo papel de completa subordinação
que os EUA querem nos reservar na nova ordem mundial que vêm tentando
impor ao mundo àforça dos dólares e dos canhões.
Basta ver a situação de polarização econômica, polÃÂtica e social da
América Latina. Temos visto a bancarrota Argentina e a resistência de
seu povo. Ao lado, no Uruguai, a tendência é a mesma. No Peru, por sua
vez, o povo que tomou as ruas para derrubar Fujimori, agora toma as
ruas novamente contra as privatizações defendidas por Toledo, o novo
presidente que em menos de um ano tem 80% de rejeição popular. Na Colômbia
e na Venezuela, a burguesia e os EUA tratam de derrotar as lutas do
povo e manter estes paÃÂses sob sua tutela, alimentando o militarismo
do Plano Colômbia e as tentativas golpistas.
Para romper com este cÃÂrculo de ferro, é preciso vencer as eleições
2002 e realizar um governo de "ruptura com o atual modelo econômico,
fundado na abertura e na desregulação radical da economia nacional e
na conseqüente subordinação de sua dinâmica aos interesses e humores
do capital financeiro globalizado", palavras iniciais do documento "Concepção
e Diretrizes do Programa de Governo do PT para o Brasil", resolução
do último encontro nacional.
Neste cenário, o PT deve forjar uma firme unidade com os movimentos
sociais, com os lutadores do campo e da cidade, com os partidos que
têm claro e inequÃÂvoco compromisso com as nossas mais caras tradições
e com o nosso passado histórico: o socialismo, a democracia, a honestidade
e a retidão no exercÃÂcio do poder público.
Não é por acaso que a base do PT rechaça com veemência a coligação
do PT com o Partido Liberal, partido de direita, abrigo de setores ideologicamente
reacionários, corruptos e também do que há de mais retrógrado no movimento
sindical brasileiro acantonado naquele partido ao lado de grandes empresários
como o senador José de Alencar, que defendeu a participação do Brasil
na ALCA e a continuidade da atual gestão do Banco Central.
Partido de direita, surgido de uma ruptura do PFL, o PL é composto
por Deputados fisiológicos, aliados de inimigos históricos da classe
trabalhadora em inúmeros Estados, como Collor em Alagoas, ACM na Bahia,
Paulo Maluf em SP, Almir Gabriel no Pará, entre tantos outros.
O PT nas ruas, com um programa claro de ruptura com a ordem que impõe
a fome e o desemprego a milhões de trabalhadores é a principal ferramenta
que os trabalhadores e o povo têm para mudar a vida! De nossa parte
seguiremos defendendo todas as bandeiras históricas de nosso Partido.
Continuaremos chamando as coisas por seu nome: os inimigos de inimigos;
Luis Antônio Medeiros e a Força Sindical de arqui-pelegos; José de Alencar
de empresário defensor das mudanças na CLT e contrário aos interesses
dos trabalhadores; o PL de partido de direita. Continuamos, portanto,
rejeitando esta aliança.
A adaptação àlógica eleitoral que a maioria da direção do partido
vem impondo, conduz nosso partido a uma situação insustentável. Queremos
ganhar as eleições, mas não a qualquer custo nem abdicando de posições
fundamentais que nos constituÃÂram enquanto sujeito histórico nestas
últimas duas décadas.
Queremos ganhar para mudar de verdade, para impulsionar grandes transformações
em que os trabalhadores e o povo sejam sujeitos do processo, porque
esta é uma necessidade histórica da hora que vivemos.
Entendemos, pois, que esta aliança atenta contra o patrimônio polÃÂtico
construÃÂdo pelo partido, os valores e a sua coerência reconhecida pela
sociedade brasileira. Por isso, continuaremos a disputar a direção desse
projeto histórico dos trabalhadores. Apesar de todos estes atropelos
e polÃÂticas incorretas seguiremos com Lula construindo uma campanha
de massas e combativa para derrotar a polÃÂtica neoliberal de FHC. Mas
somos defensores da ruptura com ele, do enfrentamento ao latifúndio,
ao FMI, aos banqueiros, às grandes corporações capitalistas. Para isso
lutamos e para isso seguiremos. Por isso nos dirigimos a você: para
que se junte a nós.