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| Entrevista Don Pedro Casaldáliga |
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DOM PEDRO CASALDÃÂLIGA ?Agora, a esperança tem de vencer a decepção? Um dos maiores sÃÂmbolos da resistência àditadura, dom Pedro Casaldáliga renunciou às funções de bispo de São Félix do Araguaia (MT) mas continua acompanhando de perto a vida nacional. Ele se diz decepcionado com o escândalo que envolve o PT e o governo Lula. 1.O que o senhor está achando da crise que envolve o PT e o governo? DOM PEDRO CASALDÃÂLIGA: Às vezes os polÃÂticos, os de esquerda também, justificam os meios pelos fins. O fim, dizem, é o partido no poder, a serviço do povo. E com isso justificam os meios, e chegam a cair nesses pecados contra a ética. Não por interesses pessoais, mas por interesses do partido e do governo, o que não deixa de ser falta de ética. 2.O PT e o governo cometeram esse pecado? DOM CASALDÃÂLIGA: Acho que o governo Lula, no que tem de PT, se distanciou das autênticas demandas do povo. Ficou uma certa cúpula, uma espécie de vanguarda mais ou menos colegiada, mas as reivindicações do povo, os movimentos populares, foram vistos de longe. 3.O PT frustrou o eleitor? DOM CASALDÃÂLIGA: Amigos me perguntam: e agora? Eu me recordo que o slogan era: a esperança vence o medo. Agora, terá de ser: a esperança vence a decepção. 4.O senhor acha que será possÃÂvel vencer a decepção? DOM CASALDÃÂLIGA: A esperança sempre é uma última palavra. Não vamos parar, o povo continua caminhando, há muita vontade, há muita utopia ainda. Não vamos parar na decepção, não. Tocamos para a frente, apanhando e aprendendo. E recordando que alianças demais acabam sendo concessões demais e claudicações demais. 5.O senhor acha que o problema foi das alianças que o governo Lula fez? DOM CASALDÃÂLIGA: Em grande parte, não ao todo, mas em grande parte. 6.E as acusações contra José Dirceu e toda a cúpula do PT ligada a ele? DOM CASALDÃÂLIGA: É uma cúpula que se distanciou do povo e dos movimentos populares, da base. 7.Esse foi o problema: a cúpula se voltou para o projeto de poder do partido? DOM CASALDÃÂLIGA: E quiseram justificar meios espúrios com um fim bom, que é o povo. Mas o fim nem sempre justifica os meios. 8.Como o senhor recebeu a notÃÂcia da suposta existência do mensalão? DOM CASALDÃÂLIGA: Vulgarizaram a polÃÂtica. Está a se exigir cada vez mais uma reforma polÃÂtica que, inclusive, exija fidelidade partidária. Existem polÃÂticos importantes no Congresso que passaram por cinco, seis partidos. Assim não tem seriedade alguma, acaba sendo brincadeira. 9.E a compra de votos? DOM CASALDÃÂLIGA: É absurda e imoral, e a negação de um trabalho partidário. 10.Isso causa decepção? DOM CASALDÃÂLIGA: Eu não esperava milagres, mas esperava uma mudança de rumo. Infelizmente, existe ainda um problema maior, que está sendo deixado de lado, que é a opção economicista feita por este governo, em continuidade com os outros governos. Estamos servindo ainda ao FMI e ao Banco Mundial, continuamos submetidos a uma polÃÂtica neoliberal, na alta de juros, no pagamento da dÃÂvida externa, e na obediência cega ao FMI. 11.A decepção é maior pela falta de ética na polÃÂtica ou pelo problema econômico? DOM CASALDÃÂLIGA: As duas. As duas são falta de ética e as duas são a negação dos verdadeiros interesses e necessidades do povo. Fonte: Jornal O Globo Rio de Janeiro- 24/07/2005 |

