O silêncio do governo brasileiro sobre o acordo militar que cede a
base lançamentos em Alcântara, isso levando em conta que Lula e o PT
se manifestaram contra o documento durante toda a campanha e mesmo já
no governo, tem uma explicação: o governo dos Estados Unidos já mandou
dizer ao governo brasileiro que não aceita, essa é a expressão exata,
não aceita, qualquer mudança no documento. As pressões no sentido de
concretizar o acordo com a aprovação pelo Congresso Nacional e, em seguida,
a imediata ocupação da base pelos norte-americanos, são descomunais,
tanto quanto as pressões para que o Brasil aceite o acordo que institui
a ALCA. Lula tem resistido a apelos e pressões, aàde setores do PT,
para revelar ao Brasil e aos brasileiros, a ÃÂntegra de todos os acordos
assinados por Fernando Henrique ao longo de seus oito anos e as camisas
de forças, em cada um deles, fato que, denunciar publicamente, deixaria
àmostra toda a canalhice e podridão de um presidente corrupto, sem
qualquer escrúpulo e que vendeu o Brasil por trinta dinheiros em Cayman.
É um equÃÂvoco de Lula, como um equÃÂvoco é a polÃÂtica econômica do ministro
Antônio Palocci, dentro dessa lógica de não poder ou não ter condições
de romper com receituário do FMI e do Banco Mundial. As armadilhas de
um bandido que ocupou a presidência da República por um longo perÃÂodo
e cometeu toda a sorte de trapaças, fraudes, atos os mais vergonhosos
de traição pura e simples, podem aprisionar o governo petista, numa
certa medida já estão conseguindo, levando a reboque as esperanças manifestadas
pelos brasileiros, nas eleições de outubro do ano passado. A situação
é muito mais grave do que se imagina e o que tem sido feito para acuar
o governo de Lula, nas questões de Alcântara e ALCA, por si só, justificariam
a imediata prisão de FHC e seus principais asseclas. O dilema de Lula
é simples: ou assume o governo na integralidade daquilo que de fato
representa e pelo que foi eleito, ou corre o risco de sucumbir e permitir,
como na Argentina com o risco da volta do bandido Menem, que os bandidos
voltem a dominar o Estado brasileiro, completando a obra de transformar
o Brasil num mero entreposto do capital estrangeiro. Mais precisamente,
norte-americano. Foi por saber disso que a professora Maria da Conceição
Tavares disparou contra a polÃÂtica econômica e é por conta disso que
a maioria da bancada do PT e dos principais aliados àesquerda, se mostra
contrária àreforma da Previdência. Para completar o quadro de desgoverno
do governo nessas questões, de indefinição, Lula tentou responsabilizar
o Judiciário por falhas na polÃÂtica geral de segurança no PaÃÂs, ameaçado
pelo crime organizado, gerando reações que em nada favorecem as perspectivas
e esperanças dos brasileiros. Que o Judiciário tem uma caixa preta e
essa caixa preta tem que ser aberta, como a do Banco Central, sob controle,
durante toda a sua existência, de banqueiros (e banqueiro é sinônimo
de corrupção, sem exceção), qualquer um sabe. Mas é preciso que a crÃÂtica
seja feita não quando o Judiciário garante direitos dos trabalhadores
(no caso da contribuição dos inativos), mas quando figuras lamentáveis
como Nelson Jobim presidem uma eleição nacional e impõem regras e sistemas
de votação que só não se consumaram em fraude pela absoluta impossibilidade,
diante da avalancha de votos no candidato das mudanças. O que a economista
Maria da Conceição Tavares disse sobre a economia nacional, o ex-governador
Leonel Brizola, justiça seja feita, vem falando desde que retornou ao
Brasil: o problema do nosso PaÃÂs são as perdas externas. As polÃÂticas
determinadas pelo FMI e os projetos prontos e acabados do Banco Mundial
têm um só objetivo: assegurar o pagamento da dÃÂvida externa. Ajuste
fiscal é apenas arrocho, como disse Maria da Conceição, sobre quem não
tem nada e acreditou, ao votar, que com Lula seria diferente. As pressões
sobre o Brasil, que não é uma república de bananas, no caso de Alcântara
e na questão da ALCA, transcendem aos limites do governo e têm que ser
reveladas a todos os brasileiros. Tem contornos de sobrevivência do
Brasil como nação soberana e na integridade do território nacional.
Ou Lula faz o que falou que ia fazer, governar num amplo e permanente
debate com o povo, ou continua seguindo, no pressuposto que não tem
jeito, em direção às armadilhas plantadas pelos oito anos de corrupção
tucana. Ao contratar empresas de publicidade para veicular uma campanha
para a reforma da Previdência, Lula faz igualzinho a FHC, adota a polÃÂtica
da verdade única: ou isso ou o caos. Nesse caso, não há sentido em governo
petista. Bastava ter continuado com os tucanos e pefelistas. A responsabilidade
de Lula é maior, muito maior, que sua vontade de tentar resolver tudo
na conversa e agradando aos donos, para mais àfrente tentar uma virada,
como dizem. Isso não funciona. É desculpa. E leva a declarações insensatas
como as do presidente do PT, José GenoÃÂno, que cobrar contribuição
dos inativos é ser de esquerda. Só se mudaram o conceito de Previdência.
É preciso perceber que, neste momento, diante dos fatos e das canalhices
deixadas pelo tucanato e FHC, é preciso abrir o jogo e mostrar aos brasileiros
o que de fato foram os oito anos de uma quadrilha no poder. Sob pena
de desmoronar, nunca é demais dizer, todos os projetos de um Brasil
grande, justo e independente. As relações do governo brasileiro com
a embaixadora dos Estados Unidos, particularmente o ministro Palocci,
são indecorosas. E não há nem que ser falar no presidente do Banco Central.
Esse é cidadão norte-americano, nascer no Brasil foi só um acaso.